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Em cartas ao Papai Noel, crianças pedem cestas básicas, materiais escolares e para que não sejam esquecidas no Natal

Escrito por ACISJC

21 DEZ 2020 - 10H46

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Thaís Leite | @_thaisleite

Nem bola, nem carrinho, nem patinete. Ao Papai Noel, Ethan, de três anos, pediu somente para que o Bom Velhinho não se esquecesse dele. O pedido é um dentre o de tantas outras crianças que usaram de suas cartinhas para pedir atenção em um ano de tanto distanciamento social. E os impactos da pandemia não pararam por aí.

Na casa de Emanuelle, de cinco meses, a mãe pediu para que o Papai Noel não deixasse faltar uma cesta básica, já que todos estão desempregados.

Leandro, de 13 anos, contou para o Bom Velhinho que está morando com os avós enquanto a pandemia não termina. Seu pai está desempregado e sua mãe soma renda de R$ 50 por faxina. Na carta, ele pede por um tênis para ir à escola.

Matheus, de 6 anos, decorou uma folha de papel com as letras do alfabeto para dizer ao Papai Noel qual é o seu desejo: materiais escolares. “Minha mamãe já fez a matrícula na escola, mas no momento não trabalha”, contou.

Na casa de Rita, que é mãe de quatro meninos e está grávida de uma menina, a carta foi escrita em um momento de esperança por dias melhores. “Faz quatro anos que não conseguimos fazer ceia, nem almoço de Natal. Pagamos aluguel, água, luz e o auxílio que entra inteiramos para nos alimentar. Em todo esse tempo, não conseguimos comprar roupas, sapatos para eles passarem o Natal. Esse ano resolvi escrever para ver se eles conseguem ficar felizes com um presente do Papai Noel”, contou.

Andreza passa por situação semelhante. “Perdi meu trabalho por causa da crise e para sobreviver faço doces em casa e saio para vender nas ruas, mas não é muito, é só para não nos faltar comida”, disse.

Os relatos são somente alguns dos exemplos de desejos de moradores da região que parecem refletir as dificuldades impostas por 2020. A aflição do desemprego, somada ao luto gerado pelas mais de 1.500 mortes pelo coronavírus, não resultaram em um ano fácil, mas não deixaram apagar a chama de solidariedade provocada pelo Natal.

Os pedidos foram apresentados à campanha dos Correios e também para a ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José dos Campos em um momento delicado. Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), no acumulado de janeiro a outubro, o Vale registra 17.715 empregos perdidos neste ano, com os piores meses após a chegada da pandemia.

Na ACI, foram 77 cartas recebidas, com 156 presentes doados para alegrar a vida de uma criança neste Natal. Eliane Maia, presidente da Associação, conta que neste ano decidiram intensificar o projeto. “[O] foco é deixar mais feliz o Natal de muitas crianças -- aquelas crianças que não têm a oportunidade de ganhar um presente, uma roupa nova, chocolates, cesta de Natal. Fazer o bem é o melhor a se fazer”, disse.

Bom Velhinho se emociona diante de pedidos feito por crianças da região

E se as mensagens já comovem todos os tipos de espectadores, ao Papai Noel são ainda mais intensificadas.

Para Alexandre Vilela Marcondes, mais conhecidos pelos pequenos como Papai Noel do Sol, não há como ouvir os pedidos sem se mobilizar para realizá-los. "A gente recebe todo tipo de pedido e os que mais nos tocam são esses. A gente acaba se mobilizando para tentar ajudar essa família e eu acho que o sentido verdadeiro do Natal, para a gente estar trabalhando ali, é justamente a questão da solidariedade".

O Papai Noel apontou ainda que vê na ajuda o resgate da origem do Natal. "Menino Jesus nasceu de uma maneira muito humilde, entregou sua vida por nós e acho que qualquer coisa que a gente fizer pelo outro é muito pouco perto do que ele fez. E se a gente trabalha para ele, uma vez que o Natal é o nascimento de Jesus, nós nos sentimos assim na obrigação de atuar com solidariedade, é isso que a gente faz, a gente tenta amenizar para quem precisa", acrescentou.

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